Por Rosana Gonçales O. Rocha
Por que devo ler este artigo? A era do conteúdo gerado por IA já começou, mas também trouxe um novo desafio: a perda da confiança. Este artigo mostra por que as marcas precisam reposicionar o papel humano na criação de conteúdo e apresenta o conceito do Validador Humano: o profissional que devolve autenticidade, experiência e credibilidade ao que é publicado. Uma leitura essencial para quem quer continuar relevante no marketing de conteúdo.
O novo paradoxo da abundância: acredito que estamos vivendo em um cenário controverso, entre o frenesi das possibilidades cada vez mais amplas que a inteligência artificial nos tem oferecido todos os dias e a exaustão que tantos novos conhecimentos têm causado em nossa mente.
Essa controvérsia mental se reflete no mercado: a velocidade de produção de conteúdo digital disparou, mas, ironicamente, o impacto na autoridade e nas vendas estagnou. Empresas e agências inundaram a internet com artigos, posts e vídeos que, embora tecnicamente corretos, não transmitem alma ou experiência real.
O resultado é a “Poluição de Conteúdo” (Content Pollution). O desafio hoje não é mais a falta de informação, mas a crescente falta de confiança no que está sendo consumido. O público e os algoritmos (como o Google e o seu E-E-A-T) exigem a prova de humanidade.
É nesse contexto que quero propor uma reflexão estratégica: o talento humano deve ser reposicionado de criador para Validador Humano, transformando a experiência estratégica de sua equipe no ativo mais escasso e valioso de sua agência?
A maioria do conteúdo AIGC é, por natureza, uma média ponderada de dados existentes. Ele é tecnicamente correto, mas carece de originalidade de insight (não traz novas perspectivas, apenas sintetiza as antigas), autenticidade na voz (não reflete o ethos e o tom de voz único da marca e experiência comprovada (não mostra que o autor – ou a marca – “esteve lá e fez isso”). Concorda?
O resultado disso é claro e perceptível: a fadiga do consumidor, que estão desenvolvendo um faro para o conteúdo genérico, descartando-o rapidamente, e o impacto no SEO – O Google, por meio de seus Quality Raters Guidelines, deixou claro que a métrica E-E-A-T (Experiência, Especialidade, Autoridade e Confiabilidade) é crucial. A IA pode simular a Especialidade e a Autoridade, mas não pode simular a Experiência (o primeiro ‘E’) e, portanto, compromete a Confiança. Publicar AIGC não-validado é um risco crescente de ranqueamento.
Então, olha o humano de volta à cena, sem nem ter saído dela completamente. O “Validador Humano” é o firewall da confiança. Não é apenas um editor; ele é o curador estratégico responsável por injetar a prova de humanidade e a experiência real no conteúdo gerado pela máquina.
Obviamente que o seu papel precisa mudar; um novo (mais estratégico e crítico) profissional surge como o validador humano. A IA fica responsável pela agilidade – criação da estrutura básica, pesquisa de termos-chave e rascunho inicial. (80% da velocidade, 20% do valor).
A validação crítica (humano) fica responsável pela Injeção de E-E-A-T – adicionar exemplos de cases reais, insights obtidos em reuniões com clientes, ou detalhes que só podem ser conhecidos por quem está no campo de batalha (a Experiência); o afinamento do tom de voz – ajustar a linguagem para que ela soe como o CEO da marca, o especialista em campo ou o fundador, e não como um algoritmo; a análise de Bias e Alucinação – corrigir a tendência da IA de gerar informações falsas ou tendenciosas, que podem destruir a Confiabilidade; a transformação em conteúdo de Edge: Levar a informação além do óbvio, usando a capacidade humana de pensamento lateral e visão estratégica.
Como membro de uma agência que oferece um grande número de soluções para os seus clientes, vejo uma importante mudança no discurso de vendas: o valor não está na produção, mas na validação.

Consultores de marketing de conteúdo renomados, como Ann Handley (autora de Everybody Writes), há anos defendem que o conteúdo que realmente move o ponteiro é o que demonstra empatia, utilidade e clareza de propósito. A IA é uma máquina de utilidade, mas a empatia e o propósito são intrinsecamente humanos.
O desafio da agência hoje é treinar sua equipe para ser melhor do que qualquer prompt de IA. É sobre valorizar o redator sênior, o estrategista experiente e o diretor criativo, não por serem escritores mais rápidos, mas por serem valiosos Validadores Humanos.
A corrida para produzir mais conteúdo acabou. A nova corrida é para produzir o conteúdo mais confiável.
Para uma agência full service, como a Agência Dois, isso significa investir em talento humano que saiba usar a IA para o que ela é boa (velocidade e dados) e reservar o tempo e o custo do Validador Humano para o que só ele pode fazer: infundir a verdade, a experiência e a alma da marca, garantindo que o cliente se destaque em um mar de mediocridade digital.
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